quarta-feira, 3 de junho de 2015

Poema para a mais bela (Versão definitiva).


eu não quero mais sair daqui. daqui te imagino brilhando nesta plenitude que me faz sonhar com os aromas que exalam dessa pele de gata mansa. desejo essa elegância desfilando em minha frente. calado, sorvo os prazeres da noite pra te contar. te desejo cada vez mais. vou devagar, baby. a solidão maltrata assim como um corte brusco desses que. você sabe e parece me provocar. haverá tempo. tempo para. junho é logo ali. vou buscá-lo, e na volta, colocarei em seu colo para que você possa acariciá-lo do nosso jeito. dia desses, te imaginei entre os livros. no balcão. nas mesas. sorrindo, veio em minha direção (...) não quero esse personagem da foto. quero você assim desse jeito que me fascina. mexe comigo. a vida seguirá seu curso como o rio que escorre. mas eu não vou te ter. não agora. Birth of the cool toca aqui ao meu lado (inevitável não lembrar-me de ti nesta noite de sábado chupando cereja madura do pé do teu vizinho plantador de amoras). quero estar assim ao seu lado. trocar o disco. de música. tenho preferência pelo cool jazz: o Sinatra negro cantando "You are too beautiful" ou Chet nos envolvendo cada vez mais com sua brilhante interpretação para "Time after time", cairia bem agora. com pensamento em você aí na janela debruçada de calcinha branca, sorrindo, você. (...) vigoroso beijo em teus seios que me fazem deslizar pelo seu corpo, eu. minhas mãos apertam. não tem mais jeito. preso em ti, vago pela madrugada felina. felina como você, gata mansa. pele de jambo. frescor de menina levada. de poder tudo. de tudo querer. (...) indecisões que só fazem. mas eu não vou te ter. por mais que eu queira, não vou te ter (?).

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Assistindo Cachoeira...


Assistindo Cachoeira - do boteco de Dona Véinha -
pude enxergar a solidão de suas ruas entre as trilhas melancólicas que me levam a lugar algum.

Talvez aos teus seios
Analisando a imensidão da tua beleza
que não me sai do pensamento - 

Como naquele verão marcado pelas travessuras
que fazíamos nas tardes onde a maresia
embaçava nossos olhares carregados de sonhos pueris, diante dos olhos de Alice [masturbando-se na densa tarde que flutua em minha frente] -

Que me levam a lugar algum.

* * *

Do livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". Lançamento em 2.015.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ontem à noite...


ontem à noite dois cães mataram um gato no estacionamento
da minha janela, deu tempo de ouvir os últimos gemidos do gato
foi sinistro
depois os cães latiram, bravos, para que o gato acordasse
o gato não acordou
os cães ficaram mais uma vez bravos -- 
o brinquedo quebrado,
a diversão no parque abandonada -- 
eu não senti pena do gato

do lado de cá uma gata geme entre meus braços
e eu não me lembro de mais nada.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Marina tinha vinte anos...


Marina tinha vinte anos
e estava apaixonada
Seu passatempo predileto
era despir-se em frente
ao espelho
do seu quarto
Principalmente às sextas-feiras
quando seu amor
chegava de viagem
e ia visitá-la
Sedento
ele não demorava
a buliná-la
Pingos de chuva
batiam forte em sua janela
de vidro
Usando um vestido longo
e sem calcinha
Ela encaixava-se
de frente
sobre seu colo
Seus pelos pubianos
roçavam
suas coxas
"Chupa vai!", ela disse
Sua buceta com corte
à la Charles Chaplin
era como ele gostava...
Marina gemia
aos seus toques
frenéticos
Não demorou a penetrá-la
"Mete, mete..."
Ela era insaciável
"Você gosta da minha bucetinha, hein?"
"Adoro!"
"É sua"
"Sei..."
O telefone toca
ele atende
era sua ex-mulher
gritando, disse:
"Você já pagou a escola dos meninos?
a irmã tá me cobrando direto!"
Desligou
"Caralho!"
Não acreditava no que acontecia...
"O que foi meu amor?"
"Nada, nada..."
Leonard Cohen cantava
baixinho:
"i'm your man..."
A essa altura
incomodava-se
com o vinho
derramado aos seus pés.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

São cinco horas e os vizinhos gemem.

foto: tuta
somos belos seres
você e eu

acordo
e não te vejo ao meu lado

está fumando seu cigarro
na varanda
enquanto a cidade se levanta

talvez, excitada pelos gemidos dos vizinhos
que transam
loucamente aos berros:  "tá doendo, tá doendo", ela grita desesperada

ele bate forte em sua bunda, ela grita: "goza logo, porra!"

"cala a boca, caralho!"

nunca tinha escutado a voz
daquele cara antes, parecia tranquilo...

sempre cumprimentando os moradores
do prédio Parque das Agruras

fico um bom tempo
deitado na cama olhando
para o teto
e suando frio

Lêda havia dado descarga
veio caminhando
lentamente...

parou ao meu lado
debruçou-se e disse: "foda-me"
pois não.