quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Quem me dera tê-la morando ao meu lado...

(Foto: Mônica Montone)

Quem me dera tê-la morando ao meu lado,
imaginar os seus afazeres
é tão prazeroso quanto
deitar-me em seu tapete
perfumado pelo cheiro
que exala dos seus
cabelos negros

Afago-os,
contemplo teu semblante
meigo...
ouço teus cochichos
que me envolve como
uma
canção do Antony and The Jonhsons -

Lembra que foi você que
me apresentou naquele
outono
em que colhemos
os sapotis no quintal de tia Lucy?

Gargalhamos muito
em frente
aos cães que trepavam
na posição que você mais
gosta

Quero te apresentar uma
banda que ando ouvindo
chama-se Band of Horses -
The great salt lake
é a tua cara!

Me incomodo quando
ouço os toques do teu
celular,
estremeço!
aumento o som -
o canto cortante da Hope Sandoval
invade o quarto
adormecido pela tua
ausência

Teu ficante é um canalha escroto!

O sol impiedoso
esmurra minha cara de réu,
não consigo suportá-lo

Devolva-me aquele bilhete
em que você
confidenciava
tua admiração pelo meu
caralho rígido e belo
(só você sabe acariciá-lo como eu mais gosto)

Adorei a plaquinha
pregada em tua porta:
"Fui catar sonhos, não demoro"

Passo a mão ao meu lado
não te sinto
lembro: "Ela foi catar sonhos!"

Partiu inesperadamente
talvez seja um sonho,
talvez

Assim como as mágoas,
essas marcas indeléveis
ferem meus sentimentos
mais sinceros,
me extenua

Meus dramas são como
teu sexo - encharcados e
corrosivos,
cortante

O carteiro joga o jornal na varanda
fria como meus pés,
minhas mãos dormentes
estão

Junto com o jornal
o bilhetinho amassado,
uma flor,
um aviso: "Já posso sonhar
sozinha".

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Toda puta é triste...


Toda puta é triste porque apanha
Apanha por tudo que a vida lhes oferece
Dela de nada vale

Migalhas não valem
Seu terrível esforço em agradar
Seu desejo é em vão

E sofrem, sofrem muito
De que adianta devolver
Aquele rancor com seu passado
Se o que tens não te realiza?

Pior do que essas putas,
São estas senhoras disfarçadas de santas
Santas no cotidiano,
Na cama são putas como outra qualquer

Eu que já conheci tantas putas
Já não consigo distingui-las das santas

Quem são as santas?

Vomito em meu confessionário predileto
E não as distingo

Abro mais uma garrafa de vodka & retorno
ao meu ofício

Imagino sua silhueta
Por trás da cortina do seu quarto

Teclo as mais puras & doces declarações de amor
& trago mais uma vez & me recordo
da cor & da textura do seu corpo

Meu caralho não diferencia
As putas das santas
Mas quem são as santas?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Balada de um romântico solitário.


Me surpreende esse pessimismo que tenho
com o amor
às vezes chego a pensar que ele não existe
Uma foda bem dada independe do amor
um gesto de carinho, um abraço apertado,
um beijo na boca sufocante
independe do amor
Eu que não te amo, nunca te amei
sinto falta das tuas carícias
da tua colada na boca
de passar minha língua pelo teu queixo
enxugando tua baba
Eu que sempre chupei tua buceta
em nossas noites frenéticas
carregadas de desejo & tesão & lascívia
Eu que sempre tive paciência - em teus momentos
mais tensos - esperar pelo teu gozo
sentada em meu caralho esplêndido de vigor & dilacerante & fulminante
Teus gritinhos não saem do meu pensamento
Mesmo a quilômetros de distância
consigo enxergar teu brilho
às margens daquelas águas escuras
que percorrem como um tapete
repleto de diamantes
em teu quintal
Eu que sempre aguardei teus comentários
em meu cantinho mais safado
Fico sozinho aqui agora
aguardando um contato
desejando que recordes
dos nossos momentos
mais intensos
quebrando esses grilos
que insistem em te incomodar, dilacerando teus desejos...
Eu que não acredito no amor, nunca acreditei
desejo por teu sorriso tímido
tua indecisão, tua fragilidade -
teu pessimismo para com sua beleza -
assim como o amor que não acredito.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma jarra de suco de cereja.

(Pintura by Nelson Magalhães Filho).

Seus sapatos ficaram do lado
de fora
esperando que alguém fosse buscá-los
esse alguém não sou eu, honey
Vista-se com aquela camisola
ridícula
que você costuma usar para
me seduzir
e vá buscá-los
"Furô Turíbio!"
O bom velhinho está usando
seu indefectível boné branco...
traz mais uma cerva
e diz: "você não conhece esta face"
Suporto suas carícias e não reclamo
Já enxerguei a morte numa ladeira
escura e estreita
"você vai descer aí?", perguntou o motorista
Cães latiam mordendo o calcanhar
dos meus sapatos
Não me importava com nada!
Estou prestes a encontrar-me
com o vizinho noturno
Sei que ele me espera
com seu suco de cereja
Ela só me dava veneno
"Se precisar de alguma coisa
é só falar", ele disse
"Ok man", eu disse
Papai do vizinho noturno
para
e pergunta: "quer uma carona?"
"Claro, Mr. Corujão"
Embriagados
seguimos ansiosos
rumo ao grande prêmio
Tinha grana rolando
e das boas
Mr. Corujão venceu!
Sedentos ficaram
os frequentadores do bar
Estação das Flores
desejando o mais puro
suco de cereja.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Teu olhar é um enigma...

Teu olhar é um enigma
entre portões e cercas
de arame farpado
meu lábio superior
toca suavemente
seu lábio inferior,
quase no queixo
o vinho corre solto
em minhas veias
alegra-me saber de
suas carinhosas
cobranças
elevam-me,
inusitadamente
você fica mais à vontade
quando estou embriagado
se solta mais,
se doa mais
minha embriaguez
é um santo
remédio
pra ti
um Simpson
a espreitar-nos
pela janela
lagartixas largam
o rabo
pra despistar
mas isso pouco importa!
sua buceta molhadinha...
a calcinha
no meio das pernas
minha língua
deslizando
maliciosamente
por seus grandes lábios,
seu clitóris...
mesmo que seja
por uns instantes
ouvir seus gemidos
é minha missão.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nas Pequeninas Horas... (2° Parte).


Aproximo-me de casa
vejo reflexos da tv
iluminarem a sala

Mônica está acordada
vendo seus filmes
eróticos

Turíbio ainda aberto
ouço gargalhadas e
comentários

"Qual a diferença entre a polícia
e o bandido", alguém pergunta

"A polícia usa farda", alguém responde

Gargalhadas em uníssono

A sociedade até que não é
tão idiota assim

O caminhão do lixo
deixa rastros
impiedosos

Peço uma vodka
e um chopp

A turma do balcão
não tira os olhos de mim

Os reflexos de Mônica
misturam-se
com os da tv

Foi buscar seu vinho
favorito

Fico imaginando o filme
que ela está assistindo...

"As idades de Lulu
ou 9 canções?"

Pago a conta
"Boa noite, cavalheiros"

Versos de Old devil moon
invadem
os degraus do prédio

Mônica está deitada
no sofá
usando
sua calcinha
de franjinha

Ela não espera
tirar
meus sapatos

Puxa-me
pela gravata

Passo a mão
por sua franjinha

Está menstruada

Mas ela não se
incomoda
com essas coisas

Nem eu.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Nas Pequeninas Horas...



Nas pequeninas horas
atravesso as ruas

Valéria está
ali parada
em prantos!

"Tem fogo?", ela disse

Seu olhar penetrante
à la Nico
diz algo
que não sei explicar

Acendo seu cigarro
e me distancio
vagarosamente

Ao longe, vejo
luzes de néon
iluminarem seu rosto

Pingos da chuva
derretem sua maquiagem
formando poças ao seu redor

On The Rocks bar
está aberto

Ouço versos tristes
de um cantor de cabaré
ao fundo

"Esta é a última canção
que eu faço pra você..."

A mendicância
olha-me
da cabeça
aos pés

Se enrolam em cobertores
rasgados de onde posso
perceber seus toques íntimos

Percebo que não estão sozinhos
uma criança faz
sexo oral no velho
da banca de jornal

Suas lágrimas se confundem
com jatos de esperma
encharcando
seu lindo rostinho

Um homem gordo
e seboso conta
seus míseros
centavos

Passo pelo Mandrágora
as ninfetas
não demoram
a levantarem
suas bundas

Flertam
até o último
instante

Dobro a esquina
ouço um tiro!

O sangue de Valéria
se mistura
com os pingos da chuva
formando uma grande poça

Ratos caminham sobre
seu corpo
quente
qual arma de fogo
que ali está.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Marina tinha vinte anos...


Marina tinha vinte anos
e estava apaixonada
Seu passatempo predileto
era despir-se em frente
ao espelho
do seu quarto
Principalmente às sextas-feiras
quando seu amor
chegava de viagem
e ia visitá-la
Sedento
ele não demorava
a buliná-la
Pingos de chuva
batiam forte em sua janela
de vidro
Usando um vestido longo
e sem calcinhas
Ela encachava-se
de frente
sobre seu colo
Seus pelos pubianos
roçavam
suas coxas
"Chupa vai!", ela disse
Sua buceta com corte
à la Charles Chaplin
era como ele gostava...
Marina gemia
aos seus toques
frenéticos
Não demorou a penetrá-la
"Mete, mete..."
Ela era insaciável
"Você gosta da minha bucetinha, hein?"
"Adoro!"
"É sua"
"Sei..."
O telefone toca
ele atende
era sua ex-mulher
gritando, disse:
"Você já pagou a escola dos meninos?
a irmã tá me cobrando direto!"
Desligou
"Caralho!"
Não acreditava no que acontecia...
"O que foi meu amor?"
"Nada, nada..."
Leonard Cohen cantava
baixinho:
"i'm your man..."
A essa altura
incomodava-se
com o vinho
derramado aos seus pés.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

São cinco horas e os vizinhos gemem.

foto: tuta

somos belos seres
você e eu
acordo
e não te vejo ao meu lado

está fumando seu cigarro
na varanda
enquanto a cidade se levanta

talvez excitada pelos gemidos dos vizinhos
que transam
loucamente aos berros

"no cu não, no cu não"
ela grita desesperada

"ai! ai! tá doendo"

ele bate forte em sua bunda
ela grita: "goza logo, porra!"

"cala a boca, caralho!"

nunca tinha ouvido a voz
daquele cara antes

parecia tranquilo
sempre cumprimentando os moradores
do prédio parque das agruras

fico um bom tempo
deitado na cama olhando
para o teto
e suando frio

Lêda havia dado descarga
veio caminhando
lentamente

parou ao meu lado
debruçou-se e disse: "foda-me".

pois não.